
Os dois principais ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa (LCPUFAs) são o ácido araquidónico (AA ou Ómega 6) e o ácido docosahexanóico (DHA ou Ómega 3), os quais são ambos importantes componentes da matéria do cérebro.
O AA e o DHA são ácidos gordos que são importantes no desenvolvimento da normal função visual e cerebral.
O AA e o DHA estão presentes nas membranas de todas células, particularmente no cérebro e na retina.
Com certeza! A investigação tem demonstrado que a fase inicial da infância é o período em que se dá o crescimento mais rápido do cérebro. Nesta altura crítica, o cérebro necessita de AA e de DHA para se desenvolver e amadurecer.
O AA e o DHA estão naturalmente presentes no leite materno, razão pela qual os bebés amamentados a leite materno registam normalmente maior acuidade visual e desenvolvimento neurológico.
Um aspecto interessante para as mães é o facto do consumo materno diário de ácidos gordos polinsaturados poder afectar o teor em ácidos gordos do leite materno.
Um estudo realizado em bebés revelou que os LCPUFAs, nomeadamente o AA e o DHA, melhoram o desenvolvimento neurológico, assim como a aptidão para a aprendizagem durante os primeiros meses da infância.
Os bebés cuja dieta incluía AA e DHA durante 4 meses, desde o nascimento, demonstraram ter capacidade de resolução dos problemas superior à dos bebés cuja dieta não incluía este tipo de ácidos gordos. Aos 10 meses, estes bebés foram avaliados com base num teste, isto é, na capacidade de realizarem uma sequência de passos para atingirem um determinado objectivo, especificamente descobrir e trazer de volta um brinquedo escondido.
O grupo alimentado com AA e DHA conseguiu uma melhor classificação.
Existe igualmente uma evidência crescente de que a adição de AA e DHA à dieta do bebé tem efeitos benéficos e prolongados no desenvolvimento visual. O AA e o DHA ajudam a melhorar a acuidade visual dos bebés.
Em conclusão, não existe qualquer dúvida de que o AA e DHA desempenham um papel vital no incremento intelectual e no desenvolvimento visual dos bebés.
Os estudos com os bebés alimentados a peito sugerem que estes benefícios poderão ser a longo prazo, persistindo inclusive até ao início da fase adulta.
A irrupção do crescimento cerebral é o período em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente. Este período inicia-se durante o terceiro trimestre e dura até aos 30 meses de idade.
O primeiro ano de vida regista a maior taxa de crescimento.
A irrupção do crescimento cerebral está associada ao rápido crescimento de novas estruturas e funções do cérebro.
Aproximadamente 25% da matéria do cérebro forma-se durante a irrupção do crescimento cerebral.
Durante este período crítico, o cérebro utiliza o AA e o DHA pré-formados em detrimento dos que são sintetizados através dos precursores.
Estes factos levam-nos a concluir que a nutrição durante a irrupção do crescimento cerebral não deve em qualquer momento ser comprometida.
Durante muitos anos assumiu-se que os bebés podiam sintetizar quantidades suficientes de AA e DHA a partir dos respectivos percursores, o ácido linoleico e o ácido linolénico. Os ácidos linoleico e linolénico têm sido tradicionalmente considerados como os únicos ácidos gordos essenciais.
No entanto, os estudos recentes demonstraram que durante os primeiros meses da infância (o período do maior crescimento do cérebro) o cérebro utiliza preferencialmente o AA e o DHA pré-formados em detrimento dos sintetizados a partir dos seus precursores. O AA e DHA pré-formados podem ser obtidos através do leite materno, uma fonte natural de LC-PUFAs.
A FDA (Food and Drug Administration) dos EUA atribuiu recentemente o estatuto GRAS ao AA e DHA comercializados, quando usados em quantidades e índices específicos nos leites para lactentes de termo e prematuros. Por outras palavras, as fontes puras e vegetais de AA e DHA são as únicas fontes de ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa (LCPUFAs) reconhecidas pela FDA como seguras.
As outras entidades internacionais que recomendam o uso de AA e DHA são a Fundação Britânica para a Nutrição (BNF), a Sociedade Europeia de Gastrenterologia e Nutrição Pediátrica (ESPGAN), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura / Organização Mundial de Saúde (FAO/OMS) e a Fundação para a Saúde Infantil. |