Questões Frequentes

Questões Frequentes

Qual a posição em que o bebé deve dormir ?

O bebé deve dormir deitado sobre as costas (barriga para cima). Até fim dos anos 80, a posição recomendada era o decúbito ventral (isto é, ficar deitado de barriga para baixo). No entanto, uma série de estudos em vários países do mundo começaram a encontrar uma relação entre dormir nessa posição e o aparecimento da Síndrome da Morte Súbita do lactente. Esta situação, particularmente dramática, define-se como a morte de um bebé, aparentemente saudável, que ocorre, sem uma causa evidente, durante o sono. Esta associação, estatisticamente significativa, levou a que associações de Pediatras de todo o mundo (incluindo a Sociedade Portuguesa de Pediatria), banissem a posição de dormir de barriga para baixo (excepto em circunstâncias muito específicas e com o bebé monitorizado) e recomendassem a posição de dormir de costas (a célebre campanha “back to sleep” da Academia Americana de Pediatria). Há ainda alguma confusão se a recomendação é pela negativa (não deitar de barriga para baixo) ou pela positiva (deitar de barriga para cima), pelo que, alguns profissionais de saúde indicam como posição preferencial dormir de lado. No entanto, estudos efectuados, posteriormente, demonstraram que a posição de lado era bem mais perigosa, para o aparecimento da Síndrome da Morte Súbita que a posição de barriga para cima.. Assim a recomendação é clara: o bebé deve dormir de barriga para cima.

Quais os sinais de alerta de doença num recém-nascido ou lactente pequeno (até aos 2 meses de vida) ?

O recém-nascido e o bebé pequeno são, habitualmente, monossintomáticos, ou seja, uma série de doenças podem causar os mesmos sintomas. Os sintomas que devem preocupar os pais e levarem a consultar sem demoras o médico são : - Recusa sistemática em comer; - Alteração do humor com prostração exagerada – bebé sonolento, pouco reactivo, muito mole ou, pelo contrário, extremamente irritado – choro contínuo, inconsolável; - Alteração da temperatura, seja febre (temperatura central superior a 38º C) ou hipotermia (temperatura central inferior a 36º C) que podem indicar infecções graves; - Vómitos persistentes, principalmente, se forem de cor amarelada;

O que se considera febre e como medir a temperatura de um bebé ?

- Febre corresponde a uma temperatura central (do interior do corpo, isto é, os órgãos internos) superior a 38º C ou uma temperatura num local periférico superior a 37,5º C. - A temperatura central de um bebé pode determinar-se em 2 locais: rectal ou no ouvido. - A temperatura periférica pode ser obtida colocando o termómetro na axila ou na virilha. - A temperatura periférica pode vir falseada por 2 aspectos: no início do processo febril as extremidades e a pele ficam frias, pelo que a temperatura captada nesses locais pode ter uma grande discrepância com a temperatura central. Por outro, a sudação que se segue ao aumento de temperatura e à baixa da febre, pode também alterar a medição da temperatura, sobretudo axilar. Assim, obter uma medição de temperatura central (no recto ou no tímpano) é preferível. - Os termómetros de mercúrio, por razões ambientais e toxicológicas, já não devem ser usados e foram substituídos pelos termómetros electrónicos. Destes, há uns especialmente adaptados à medição da temperatura timpânica, mas no bebé muito pequeno, com canais auditivos estreitos, esta é por vezes difícil de determinar.

Que sinais respiratórios são preocupantes num bebé pequeno ?

Os espirros são muito comuns no recém-nascido nos primeiros dias de vida e não são indicador de constipação – são mecanismos normais, através dos quais elimina secreções presentes nas vias respiratórias durante a vida fetal e que, entretanto, secaram. O nariz obstruído é também frequente nos bebés, mas como um recém-nascido não consegue respirar eficazmente pela boca, é importante manter as fossas nasais bem destapadas, limpando com soro fisiológico, principalmente, antes de mamar. Pelo contrário, a tosse não é um sintoma habitual no recém-nascido e bebé pequeno. Pode surgir, pontualmente, quando o bebé se engasga com leite ou secreções (inclusivé até com a saliva), mas se for persistente, seca ou aparecer (e perturbar) durante a alimentação deve ser encarada como um sintoma importante e deve consultar o seu Pediatra.

Quantas vezes deve um bebé fazer cocó por dia ?

O trânsito intestinal é muito variável de bebé para bebé. Nos recém-nascidos amamentados é habitual o bebé ter uma dejecção cada vez que come. As fezes são, geralmente amarelas, liquídas, com grãos mais escuros tipo mostarda. Nos bebés com aleitamento artificial as dejecções não são tão frequentes e são, muitas vezes, menos líquidas e mais esverdeadas. No entanto, mesmo nos bebés amamentados, quando o trânsito intestinal é mais lento, os cocós podem ficar mais esverdeados. Ao fim de algumas semanas, os bebés mesmo amamentados, reduzem a frequência das dejecções diárias e, mesmo nalguns casos, só evacuando dia sim, dia não. Se o bebé estiver confortável, comer bem, não vomitar e ganhar peso, este fenómeno é normal e não deve preocupar. Há também casos de bebés que após evacuarem normalmente nas primeiras semanas, começam a apresentar uma prisão de ventre acompanhada por grande esforço na altura de evacuar, mas em que as fezes são surpreendentemente líquidas ou moles. Trata-se de uma situação conhecida como disquézia e que resulta da incapacidade do bebé relaxar a região pélvica quando surgem as contracções intestinais que levam à expulsão das fezes. Esta descoordenação leva a que essa força não seja eficaz para que o bebé consiga fazer cócó. Pode ajudar-se com manobras simples, como puxar as pernas para cima e dobrar as coxas sobre a barriga, entreabrir o ânus e estimular ligeiramente com uma sonda.

O que é o rastreio auditivo neonatal e porque deve ser feito ?

Este rastreio auditivo pode ser feito a bébes recém-nascidos e é um método fácil, rápido e não causa qualquer incómodo ao bebé. Consiste na avaliação da resposta do ouvido do bébé a sons (otoemissões que são captadas através de um microfone colocado num tampão no ouvido do recém-nascido). Sabe-se hoje que muitos bebés pequenos, seja por causa genética, seja por problemas de parto (prematuridade, asfixia) ou por infecções intrauterinas, apresentam perda auditiva global significativa, calculando-se que este problema afecte 1-3 em 1000 recém-nascidos normais ou 20-40 /1000 recém-nascidos de risco. Ora, quanto mais precoce for essa detecção, e quanto mais rápida a intervenção correctiva, melhor será o prognóstico referente ao desenvolvimento social e linguístico desse bebé, pelo que todos deveriam fazer esse rastreio. (Pergunte na maternidade onde nasceu ou irá nascer se o fazem ou, caso não o façam aí, como e onde o poderá fazer).

É grave os bebés bolsarem ?

Bolsar o leite (ou regurgitar) é muito frequente. Mais de 40% dos bebés bolsa com regularidade nos primeiros meses de vida. Esta regurgitação é fisiológica e protectora, pois evita que os bebés muito glutões encham demasiado o estômago com leite e ar após as refeições. Assim, se o bebé estiver bem disposto e for engordando normalmente não precisa de se preocupar, mesmo que ele “esteja sempre a bolsar”. Se, pelo contrário, não ganhar peso suficiente ou se andar muito irritado e chorão, principalmente quando come, ou se se engasgar frequentemente quando bolsa, deve contactar o Pediatra.

O bebé deve tomar banho todos os dias ?

Durante uma parte significativa da vida intrauterina o bebé viveu num meio liquido, pelo que este é um ambiente muito familiar e que explica porque os bebés pequenos gostam tanto de estar dentro de água. Assim, o banho é uma experiência sempre agradável e relaxante para o bebé, e se for dado à noite poderá, inclusivamente, obviar alguns daqueles períodos de choro intenso, que se associa muitas vezes a ansiedade do bebé e, por tabela, dos pais. No entanto, se estiver com fome não vai, de maneira nenhuma, apreciar o banho. Assim, não faz sentido dar o banho imediatamente antes de comer. O banho deve ser dado com o bebé alimentado e saciado (não há necessidade de fazer a “digestão”), podendo mesmo ser dado a seguir a ter comido (pode ser algo inconveniente pois o bebé pode estar sonolento e, por outro lado, se for muito manipulado pode bolsar o leite para dentro do banho). Assim, o melhor é dar o banho cerca de uma hora depois de ter comido. A água do banho deve ser morna (pelos 36 º C) e a temperatura cá fora deve ser à volta de 24º C, para o bebé não ter frio quando sair. Deve ser usado um produto suave para não irritar a pele, que é muito sensível. A seguir ao banho deve ser seco suavemente, de forma a não deixar a pele molhada, principalmente, nas pregas (não esquecer o pescoço e a região atrás das orelhas), para que essa água não retire à pele alguma gordura protectora. Por esse motivo (evitar a secura da pele que pode condicionar o aparecemento de dermatites), deve ser aplicado a seguir ao banho um creme hidratante nessas regiões: pregas dos joelhos, cotovelos, tornozelos, pescoço e orelhas.

Por Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira
Chefe de Serviço de Pediatria - Hospital de Dona Estefânia